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Olá, amigos leitores da revista RaceX!

Primeiramente quero agradecer o espaço e a oportunidade de ser colunista desta revista que acredito que irá revolucionar o modo de divulgação do nosso esporte no país.Vou contar um pouco da minha história,  principalmente no esporte, mas acho que servirá de lição para quem não acredita no seu potencial.

 O começo

Venho de uma pequena cidade em Minas Gerais, chamada Divino, onde sempre morei, conheci o esporte através do meu pai que era trilheiro e sempre foi um apaixonado pelo motocross. Quando eu tinha 3 anos de idade ele comprou um walk machine e fabricou uma motinha, e na primeira vez que andei já consegui até derrapar a roda traseira da moto de lado, eu nunca tive uma situação privilegiada e por conta disso eu não pude começar mais cedo no motocross. Me lembro que pedia meu pai uma motinha com freio a disco e quando eu tinha cinco anos de idade ele me deu uma panda, eu sempre ía nas corridinhas que tinha na minha região e com nove anos de idade meu pai resolveu ver no que dava e comprou uma KX80, foi um dos dias mais felizes da minha vida ter ganhado aquela moto importada, eu não saía de cima dela, esses dois anos foi como se fosse uma escola para mim, eu fazia o campeonato carioca e chegava a levar volta, eu ficava muito bravo mas não desisti. Minha moto era muito inferior,  e para vocês terem uma idéia, nós já estávamos no ano de 2000 e minha moto era ano noventa e quatro. No final do Campeonato Carioca de 2000 eu já estava bem melhor, numa das últimas corridas eu tive um resultado bom mas minha motinha tava com a balança soldada e eu estava com medo de quebrar, então tirei um pouco a mão e no final falei com meu pai que dava para ter sido melhor, mas fiquei com medo da moto quebrar, e ano seguinte minha mãe vendeu o carro dela para que meu pai pudesse comprar uma CR80 nova, foi quando o jogo virou.

 A evolução

Agora, já com uma moto melhor eu comecei a treinar e a mehorar muito rápido,as corridinhas da minha região já comecei a ganhar. Eu corria nas categorias Intermediária, 80cc, 125cc e em algumas na Força Livre. Sempre pegava pódio, e nesse ano eu comecei realmente a ganhar todas as corridas do Carioca, Mineiro e Capixaba da minha categoria. Quando comecei a fazer o Campeonato Brasileiro de 80cc eu costumava ficar na entre a 10ª e a 15ª posição, eu via que tinha que melhorar muito, mas na 80cc eu não cheguei a ter um resultado expressivo de pegar pódio, cheguei a pegar a sexta posição somente, e em 2003 eu fui o 25º do ranking das 80cc fazendo apenas duas provas, a do Rio de Janeiro e a do Espírito Santo. Nesse ano resolvi ir um pouco mais longe, consegui acompanhar um pouco mais o Brasileiro de Motocross e com isso peguei um ritmo maior.

Quando eu estava para fazer quinze anos de idade meu pai comprou uma CR125cc,  foi quando eu comecei a me profissionalizar, minha carreira no esporte deu uma deslanchada, tive a oportunidade de estar andando no Campeonato Carioca com grandes nomes do esporte como Poccoroba, Pedro Lopes, Massaud Nassar, entre vários. Claro que eu não ganhava, mas no fim do campeonato consegui imprimir um ritmo forte,consegui ser campeão nas categorias 80cc e intermediária. Em 2004 eu já estava muito mais forte, já conseguindo dominar a moto, eu não podia treinar muito para não acabar com o equipamento que tinha, mas todo fim-de-semana eu corria, tinha que fazer o dinheiro para poder ir para os Brasileiros, não era nada fácil, consegui vários títulos importantes como o Carioca de Motocross e Supercross, o Capixaba, onde venci todas as etapas e algumas do Mineiro. Comecei então a dominar as corridas destes estados já que o Balbi nem o Massaud estavam andando, mas no final do ano quando começou a surgir as quatro tempos eu passei apertado, minha moto era 125cc e já estava meio cansada, e em 2005 eu não tinha condições de trocar de moto, foi quando o Walter me deu um empurrão muito grande me ajudando a comprar uma KX250F, e novamente comecei a andar um nível acima dos demais. Eu entrei no Campeonato Brasileiro bastante confiante e tive uns resultados expressivos como o meu primeiro pódio no campeonato nacional, após de ter andado em terceiro a prova inteira eu perdi a posição no final terminando em quarto.

 O acidente

O ano de 2005 foi um ano de muitas felicidades, eu estava num ritmo muito forte, estava muito bem fisicamente, fiz muitos resultados bons, fui campeão carioca nas categorias intermediária, MX2 e Força Livre, além de bons resultados no Campeonato Brasileiro de Motocross. Fui para 2006 como o 33º do ranking brasileiro, fazendo apenas três provas. Mas também foi um ano  muito difícil na minha carreira,no final do ano fui numa corrida em Cataguases-MG, onde tive um acidente muito complicado,  eu virei de frente em um salto, quebrei cinco costelas em sete lugares, causou um  pneumotórax, foi uma momento onde pensei em largar tudo,passei 2 dias a UTI e mais um mês na cama. Com este tempo parado eu já estava doido para voltar a andar, o médico não estava acreditando na minha recuperação, estava muito rápida, e com dois meses eu voltei a andar e fui direto para a primeira etapa do Campeonato Carioca de Motocross. Quando eu venci a categoria MX2 eu não acreditei, olhei para a arquibancada, meus amigos e familiares todos emocionados e principalmente eu. Voltei a treinar com calma porque ainda estava um pouco inseguro e graças a Deus estou sem nenhuma seqüela.

Em 2006 eu tive bons resultados, consegui recuperar a auto confiança e fiz grandes provas como um quarto lugar na etapa do Brasileiro de Motocross em Cachoeiro de Itapemirim-ES, foi uma prova que andei em terceiro e bem na última volta perdi a posição. Fui campeão carioca de Motocross e Supercross nas duas principais categorias MX2,SX2 e Força Livre, além disso fui o terceiro colocado no campeonato Brasileiro de Arenacross, fiz algumas etapas do campeonatos capixaba e mineiro e ganhei as que participei. Este ano foi como se fosse uma recuperação. Foi um ano difícil, de pouco treino, tinha pouco tempo que eu morava no Rio de Janeiro-RJ.  Eu morava no bairro de Botafogo e a minha moto ficava em Duque de Caxias, onde meu pai gerenciava uma concessionária. Eu menor de idade, não tinha carteira de motorista e meu pai não podia sair do trabalho, passei o ano somente correndo fins de semana.

 2007, O ano

Foi um ano que tive um empurrão muito grande na minha carreira, foi o ano que fiquei conhecido nacionalmente, consegui fazer quase todas as etapas do Campeonato Brasileiro de Motocross e tive ótimos resultados como na etapa de Carlos Barbosa (RS) eu andei a grande parte da prova na segunda posição e terminei em terceiro, fiquei duas etapas de fora, uma porque eu estava viajando e a outra por problemas mecânicos.

No final do ano nos tivemos a volta do Campeonato Brasileiro de Supercross, um evento muito importante na história do esporte; venci a primeira etapa e abri o campeonato como líder, mas durante este campeonato tive muitos problemas mecânicos, eu andei com a mesma moto que fiz o motocross, e na etapa de Barretos eu tive que entrar direto para repescagem para poder correr, foi uma prova muito difícil para mim, que além de ter largado mal, eu estava com a terceira marcha da moto escapando. Já na etapa de Campo Grande eu tive alguns problemas, mas consegui andar bem, por duas vezes eu fui para último e ainda recuperei a terceira posição, e a etapa de Curitiba eu fechei com chave de ouro, larguei meio mal mas fiz uma corrida de recuperação muito boa, aos  quarenta segundos para o final consegui fazer a ultrapassagem em cima do Jean, mas eu já estava na primeira posição e não sabia, o diretor de prova me deu a bandeirada de chegada e eu achei que era a branca de última volta, e quando eu estava voltando na pista paralela a da chegada eu vi os fogos, achei que estava levando volta, fiz a volta acelerando tudo que até quase caí nas costelas, e no final vi todos os repórteres vindo para o meu lado,não acreditei na hora, mas rapidamente a ficha caiu, eu estava diretamente na briga pela primeira posição. Então nós fomos para quinta e última etapa que foi na cidade de Jundiaí (SP), novamente não fiz uma boa largada e tive que fazer uma corrida de recuperação, o Leandro largou na frente e conseguiu abrir uma boa vantagem logo no início, pois vim da sexta posição a cada salto e cada ultrapassagem o povo todo presente me empurrando, no final quando eu já estava na segunda posição comecei a me aproximar do Leandro ele ainda deu uma errada e pude chegar mais perto, mas não deu tempo, fiquei em segundo e com o vice campeonato porque tive que jogar onze pontos fora, por conta de um descarte que colocaram. Fui vice campeão também no Arenacross.

Quero agradecer a todos que me apoiaram este ano, ao Robert Kern –KTM-FOX-BENAZI-MOTUL-M3

Nas próximas edições estarei falando sobre o ano de 2008 e sobre as minhas experiências internacionais.

Um grande abraço a todos.

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