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Estou muito orgulhoso de fazer parte da
primeira edição da revista RaceX. Nem acreditei quando recebi o convite
para escrever esta coluna pois, na verdade, não sou jornalista, sou
mesmo é piloto de motocross, mecânico do meu filho Roger Hoffmann, que
também é piloto, e editor
do site dele, o RH41. Fui convidado pelo Tião
Hot para escrever esta coluna com o intuito de passar minha visão do
esporte como piloto há mais de 30 anos e também como pai de piloto. Moro
em Guarapari(ES), tenho 48 anos, sou casado com Ivana e tenho três
filhos. O Roger é o único piloto, vive no $$$ufoco, o Bernardo é o cara
de futuro, estuda e trabalha, é o único que ganhou e ganha dinheiro com
motocross na minha casa, ele faz a cronometragem eletrônica do motocross
capixaba(rsss), o mais novo é o Henrique, quer ser piloto, mas ainda não
tem moto, só namorada(s). Bom chega de apresentação, vamos lá...
“Hoffmann e Passos disputam os títulos nas principais categorias do
Campeonato Capixaba de Motocross”
Esta manchete poderia ser dos anos 80
referindo-se às várias disputas entre eu e meu amigo Antonio Jorge
Passos, mas trata-se de nossos filhos, Roger Hoffmann e Higor Passos
que, como os pais, são muito amigos e viajam juntos para as corridas
fora do estado. Roger e Higor estão na briga pelos títulos 2008 das
categorias MX2 e Força Livre com poucos pontos de diferença restando
apenas uma etapa. A decisão será na cidade de Itarana no dia nove de
novembro.
Atualmente, eu e o Toninho assistimos
esse “pega” juntos nas pistas, com os corações batendo muito mais
forte do que quando éramos nós na pista e, como sempre, trabalhando
juntos nas motos e na ajuda à Roger e Higor fora das pistas, trocando
idéias e torcendo por eles.
Esta disputa entre os Hoffmann e os Passos,
que vem desde nosso tempo de criança no bicicross(rsss), há mais de 35
anos, está cada vez mais forte, como sempre foi nossa grande amizade.
Brasileiros de Motocross, Supercross e Arenacross
Está cada vez mais complicado para os
pilotos particulares competirem nos campeonatos nacionais, atualmente
existem vários fatores que dificultam pilotos sem apoio de grandes
equipes. O principal deles, na minha opinião, são as motos de 4T, elas
encareceram muito a preparação e manutenção para quem quer uma moto
competitiva, com uma original é quase impossível conseguir bons
resultados. No tempo das 2T a diferença era mais branda, era possível
utilizar motos com alguns anos de uso fazendo uma pequena preparação com
um preço razoável . Era comum ver motos 2T com 2, 3 e até 4 anos de uso
nas competições, já as 4T é difícil ver uma com um ano de uso nas
pistas.
Até nos EUA as 4T influenciaram na
quantidade de pilotos, basta ver as corridas do AMA SX este ano.Teve
etapa que haviam apenas 31 pilotos inscritos. Há alguns anos atrás
passavam de 70 motos. Poucas equipes conseguem grana suficiente para
bancar todos os custos das 4T super preparadas.
Os outros fatores são os de sempre, custos e
tempo com viagens neste nosso país gigante, as péssimas estradas
brasileiras, premiação/ajuda de custos fraca para aqueles que não ficam
entre os primeiros, mas fazem parte do espetáculo, etc.. Sem esquecer
da falta de patrocinadores e, quando eles existem, a falta de retorno
que a má (para não dizer nenhuma) divulgação na mídia proporciona ao
motocross no Brasil, com exceção da mídia especializada, é claro. Porém,
esta mídia especializada nem sempre valoriza estes pilotos que são os
que mais batalham para correr um Campeonato Brasileiro e que, com apenas
uma moto e sem super preparações, estão sempre marcando uns pontinhos,
mesmo competindo com tanta inferioridade.
Falando em mídia, os organizadores de
provas, pilotos e todos os envolvidos no motocross reclamam sempre que
ela não existe, que ninguém divulga e etc.., mas é preciso entender que
as TVs e Jornais no Brasil mudaram muito, faz décadas que tudo virou um
grande negócio e não existe mais aquela mídia paternalista, que busca as
notícias de um ou outro esporte para completar sua grade de programação.
A coisa hoje é de quem paga mais, e muito mais. O futebol dá muito
dinheiro para as TVs e é por isso que está toda hora na telinha, não tem
nada a ver com país do futebol, é dinheiro mesmo. Veja o exemplo do
vôlei, do futebol de areia, da Stock-Car, basta ver os patrocinadores
que eles têm. Foram investimentos pesados que tornaram estes esportes
dignos de serem televisionados.
Portanto, não se iludam, para que o
motocross apareça na televisão aberta alguém vai ter que pagar mesmo, e
muito caro. A Dunas Race está pagando alto, gastando muito para fazer o
Brasileiro de SX, mas o espetáculo que é o SX não basta, a Globo vai
mostrar 30 segundos no Esporte Espetacular como tem feito. Será preciso
buscar patrocinadores gigantes para bancar, caso contrário, nada feito.
Todos sabem que para um esporte crescer é necessário a formação de
ídolos e só a divulgação pode fazer isso. Houve uma época em que um
certo “Japonês Voador” estava na boca do povo, quem se lembra?
Falando
em BR de SX, este é um campeonato estritamente profissional, piloto privado não
entra, havia apenas dois cariocas em Casimiro de Abreu na primeira
etapa, o Gabriel Montenegro e o Raul Guilherme, em pleno estado do Rio
de Janeiro. Havia também dois capixabas, Roger Hoffmann e Higor Passos,
e nenhum mineiro. Será que nestes três estados, RJ, ES e MG não tem mais
pilotos? Será que estes quatro pilotos vão nas etapas distantes de seus
estados?
Ainda mais com aquela pista!!! Quando recebi
da Dunas Race a foto da pista em 3D achei espetacular, mas na pratica
não estava como no projeto, criaram algumas coisas meio absurdas, em um
trecho dividiram a pista no meio dando opção de uma moto de cada lado,
os pilotos rápidos não tinham opção e seguiam em fila indiana emendando
os saltos pela esquerda, quem escolhesse o lado direito perdia muito
tempo, pois após a curva seguinte para a direita só se conseguia fazer o
obstáculo se viesse pela parede, por dentro teria que copiar os saltos
um-a-um.
Bom, o resultado da falta de “acabamento” na
pista do BR de SX no RJ quase levou o Balbi ao chão no primeiro treino
da SX1, ele quase virou pra frente no último duplo de uma sequência, mas
logo depois, no treino da SX2, infelizmente o Ratinho não teve a mesma
sorte e virou no mesmo lugar, quebrou o braço. Outros pilotos
profissionais também saíram de ambulância em Casimiro, o mais machucado
deles foi o Massoud Nassar, uma pena.
O próprio Balbi disse em seu blog; “Se
preocupem um pouco mais com o acabamento, o que não deixará a pista
menos técnica, porém mais segura .“
Espero que haja mais consciência por parte
dos organizadores, pois apesar de nossos pilotos profissionais serem
ótimos, não são super-homens e não podem ser submetidos a arapucas desse
tipo. Esses pilotos têm responsabilidades com seus patrocinadores na
pista, quando vêem um adversário “fazer” um obstáculo eles se vêem
obrigados a fazer também, mas podem ser pegos de surpresa por um
acabamento mal feito ou por um obstáculo mal calculado.
Até a próxima, abração. |